★☾ ✿Gente - Miúda✿

★☾ ✿Gente - Miúda✿
Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Boa noite

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net

 
 
 
Boa noite Senhor do alto.
Queria que  minha mãe Helena soubesse
Que já consigo pensar nela sem doer.
 Que soubesse : que foi muito difícil, mas consegui!
Que não precisa falar nada, não carece mais.
Silêncio também se entende.
Basta ouvir com a alma.
 

Quem me dera

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net


 
Quem me dera...
Ouvir a palavra por detrás do silêncio.
Mas eu nunca tive a pretensão de sonhar tanto.
Discerni a verdade muito cedo até.
Mas o fio de esperança cravado na força de vontade, me fazia imaginar um lar, doce lar.
Com árvore, lareira e neve caindo como um milagre na terra.




Senhor do alto
Quem me dera...
Saber definir exatamente o que meu coração sente, quando olha o céu.
Quando se encanta com o passar das nuvens,
Quando falo com Deus,
Quando me ponho em oração.

Quem me dera...
Fazer entender que a honestidade é um elo precioso da alma com o criador,
Que a verdade é recém nascida todos os dias e ganha sabedoria em segundos.
Quem me dera...
Tocar a mão de quem amo e desejar, não sofra mais.
E isso pudesse acontecer com a fé que eu sempre tive, mas não é assim.
O que posso é sentir.
O que posso é  apertar com a verdade dos meus sentimentos, e dizer: eu desejo que o mundo seja de amor e paz.
 
Senhor, o que você faz quando alguém não se importa?
O que você sente quando demonstra todo o teu sentimento e o mundo não ouve?
Quando eu era menor e chegava o natal, diferente de outras crianças que pediam um brinquedo, eu ia pondo cartinhas nas árvores das ruas, e saia pedindo para a noite ter braços que nem um cobertor quentinho, e não doesse aquele frio no meu corpinho lembra?.
 
Quando não havia saída para a fome que fazia barulho no meu estomago, eu tocava uma viola quebrada para ganhar um cachorro quente, ou um prato de comida. Eu já sabia o valor daquele pouco-muito, e o quanto seria importante estudar para ser alguém um dia.

Quem me dera...
Aprender tudo o mais rápido possível, eu pensava...
Eu aprendi algumas coisas por certo.
Meu coração ganhou força e luz,
Nos questionamentos que eu fazia para a brisa.
 
Mãe, como você pôde fazer isso comigo?
Hoje é natal e eu sou alguém deixada no mundo por sua vontade.
Achei um cachorrinho, ele era um lindo filhote, nessa noite ele sentia frio como eu, éramos iguais, ele não tinha ninguém também. Ficamos amigos, um acolhendo o outro, lhe batizei de Felicidade, e fomos caminhar juntos.
 
Felicidade e eu éramos inseparáveis, um não saia de perto do outro.
A alegria dele era a minha.

Quem me dera...
Ter sabido da imprudência no transito, isso levou Felicidade embora.
Ele só tinha um ano, novamente as lágrimas inundaram meu rosto, fiquei abatida, encolhidinha num cantinho de calçada. Depois de alguns dias, mudei de local, não agüentava doer tanto.
Não passou de doer, só depois de muito tempo fui parando de lembrar e sofrer, coisas da vida.
 
Quem me dera...
O amor me conceda um desejo.
Não quero me sentir tão frágil, tão sem ânimo, tão tristonha.
Quem me dera...
Um poema com todas as cores agora.
Mas estou cinza.
É engraçado como o mundo gira e suas voltas sempre trazem algo que se foi.
Seja na presença ou na saudade.

Quem me dera...
A saudade virasse presença.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Felicidade

(Autoria: Fernanda)
 Imagens:Minhas


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Ela remexe seu pequeno baú de lembranças, e nisto depara com aquele companheiro de infância, que cuidou dela por um bom tempo. Felicidade era o nome de seu cachorro tão querido. Fechou o álbum e ficou lembrando...
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Fernanda

A menina caminhava todos os dias na praia, afinal morava por ali. Felicidade a acordava bem cedo, e a acordava com algumas lambidas em seu rosto. Desde que se encontraram eram inseparáveis, só o deixava para ir aprender na escola, mas logo estavam juntos.


Menina - Hoje vou ensinar a você a ser bem educado tá?

Ele - Au!

Menina - Vou jogar este lado de sandália no mar, e você vai pegar para mim. Jogou bem pertinho na beira da praia, e Felicidade não buscou. Está bem vou fazer para você ver tá?

Ele - Au!

Depois de vários dias de tentativas sem retorno, ela disse: Felicidade, hoje vamos só brincar, estou precisando ser criança. Mais tarde vamos cantar lá no buteco e então com o dinheiro que ganharmos, vamos jantar tá?

Ele - Au!

A menina - Bom garoto!

Felicidade era seu amigão, os dias pareciam completos quando ambos estavam juntos.
Uma bela manhã ele pegava o lado de sandália e corria com ele na boca, noutras deixava pertinho da menina e corria para beira do mar. Era como se estivesse pedindo para que ela atirasse bem longe. Ela percebeu e sorriu, ele parecia uma criança querendo mostrar para a mãe que era inteligente. Então a menina mirou bem alto e jogou, e lá se foi a sandália bem dentro do mar. Felicidade saiu correndo naquela direção e a menina ficou receosa que seu “filhote” afogasse. Começou a correr para um lado e outro da praia, até que... Era ele seu amigão voltando e trazia a sandália com ele.

Ela sentia tanta alegria por não estar mais sozinha nas noites e dias. E foi assim que passaram dois anos juntinhos, até ele ir para o céu dos cachorrinhos.
Naquele dia a menina descobriu que dormir para sempre doía forte no peito. E as coisas mudaram de cor sem ele por perto. Todas as manhãs ela sentava na beira do mar e chorando rezava, para que os homens de carros tivessem cuidado com as pessoas e os bichinhos.

Não fora mais na escola, nem cantar no boteco. Queria apenas ficar ali esperando aquela dor passar. Numa tarde quase noite, ela sentou na beira mar e conversou com o Senhor do alto.

Senhor do alto, pode vir aqui me escutar? Você pode cuidar de Felicidade para mim, ele gosta de ir buscar sandália no mar, aí tem mar? Se tiver pode, por favor, pode pedir para um menino brincar com ele? Também pode agradecer a ele por não ter deixado o moço me machucar com o carro? Sabe? Ele era meu filhote, meu amigo. E meus olhos não querem parar de chorar e meu coração de doer. Eu já sei que quando dói por dentro da gente, o nome disso é saudade. É a mesma dor que eu senti quando pedi meu pai e minha mãe de volta na noite de natal, e eles não estavam na meia da árvore. Se não for pedir demais pode passar essa saudade que dói dentro de mim? É que não sinto mais vontade de nada.

De repente ela sente uma mão no seu ombro, era dona Lídia a professora da escola. Fernandinha, o que tem? Porque está chorando?

A menina - Porque sinto uma coisa doendo aqui dentro de mim. Ela vai me deixando triste, triste e depois as lágrimas começam a vir e parece doer menos.

Tia Lidia – Por que não foi mais às aulas pequena? Está doente? Me diga que dor é esta.

A menina - Porque não sinto vontade, só quero ficar aqui conversando com o Senhor do alto. E a dor vai passar, eu já pedi para Ele.

Tia Lidia - Aconteceu alguma coisa querida? Alguém lhe machucou? Pode confiar em mim?

A menina - Sim tia eu confio. Choro de saudades, Felicidade dormiu para sempre, porque um homem bateu nele com um carro. Ele vinha muito rápido e Felicidade me empurrou, eu caí do lado da calçada e ele ficou no chão. Não conseguia levantar porque minha perna machucou feio, mas quando levantei, ele apenas dormia e não acordava. O moço falou que Felicidade me salvou, e que quem podia ter dormido para sempre era eu.

Tia Lidia - Nem sempre podemos entender os caminhos de Deus Fernandinha, mas Ele escreve sabiamente, e nesta escrita, o que é melhor para nós. Talvez agora Felicidade esteja feliz por ter ajudado você, a amiguinha que ele tanto amava. E sabe de uma coisa? Lembra do dia do amigo, que cada um podia levar o seu melhor amigo para a escola, e você levou Felicidade?

A menina - Sim, os meninos ficaram me zoando por isso, eu era a única que tinha levado um animalzinho. E você ficou gostando dele e ele de você.
Daí quando você veio na praia eu joguei a sandália para você ver o que ele já tinha aprendido, e você gostou.

Tia Lidia - Pois lembra também das fotos que tirei?



A menina - Sim.

Tia Lidia - Se prometer ir à escola amanhã, eu as levarei e lhe darei de presente. Assim quando você se sentir sozinha, pode olhar para seu amiguinho e sentir que onde quer que ele esteja, estará feliz, por tê-la ajudado tão bonito.

A menina enxugou o rosto com as costas das mãos e sorriu timidamente. Acenou positivo à tia, e a abraçou. Naquele dia tia Lidia só foi embora, depois que conseguiu fazer a menina comer alguma coisa. Tia Lidia colocou uma das fotos num porta retrato, e a outra dentro de um diário, e deu de presente a Fernandinha. O porta retrato, ela guardou na igreja até ter um lugar para deixar perto dela.
★☾
 
Imagem: net

sábado, 5 de maio de 2012

Humildade

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net.




Senhor do alto, esse menininho que está deitado aí, é o Jesus?
Eu estava pensando... Por que dona Rosa falou que ele nasceu numa manjedoura?
Outro dia quando eu estava voltando da escola, eu achei uma banheira rachada, na lixeira, levei para dona Sílvia, filha da dona Josefina. Ela vai ganhar um neném e ele não tinha onde dormir. Então eu levei a banheira e dona Josefa lavou. Sabe? Ela deixou bem limpinha. Também fez uma capa pra ela e ela ficou novinha.

Ela disse que a bebezinha iria ficar contente com a caminha.
Eu fiquei mais feliz ainda, porque eu pude ajudar a dona Sílvia e dona Josefa.
Se você quiser posso procurar uma banheira igual para o menino Jesus.
É que eu fico pensando que aquelas palhas podem machucar a perninha dele. Porque eu, toda vez que deito no colchão do seu Bento que é de palha, fico cheia de bolas vermelhas.

O padre disse que o Senhor tem muito poder.
Então se você é rico de poder, não pode por favor, trocar a caminha dele de palha por uma banheira achada?
Se for pecado o que eu digo me desculpa tá?
O padre também disse, que o Senhor conhece tudo que a gente pensa, até o que a gente não pensou ainda. Então sabe que é de coração minhas palavras.

Obrigada e amém!

OBS: As crianças têm uma pureza fora do comum não é?


ganhei da Sophia
.Uma garotinha linda de 8 anos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O menino e Ela.

(Autoria: Fernanda)
Imagem:net

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Noite fria, e a menina procurava abrigo, e sem se dar conta encontrou um menino que também se abrigava da noite. Ela aproximou-se meio arredia, mas contente de ter mais alguém ali além dela. Nisto, ao chegar mais perto, parecia ouvir o menino falando com alguma pessoa. Mas quem? Ela não via ninguém por ali além deles. O menino dizia: por que você não me ama? Baixou lentamente a cabeça e olhando o horizonte, ela presenciou lágrimas.
 
Ela - Menino posso ir ficar aí embaixo também?
Ele - Não quero companhia.
Ela - Está bem eu ficarei aqui onde estou, quer conversar?
Ele - Sobre o que?
Ela - Não sei, sobre o que quiser.
Ele - Você, o que faz aqui?
Ela - Estava andando e acabei me afastando de onde costumo dormir, então vi você aí e pensei poder me abrigar aqui além de conversar um pouco.
Ele - Venha.
 
Ela - Ouvi sua conversa, mas acho que você conversava com o Senhor do alto não é?
Ele - Você quer dizer Papai do céu.
Ela - Sim. Mas você dorme aqui?
Ele - Fazia parte de uma turma de meninos lá do lado norte, mas eles começaram a cheirar um troço esquisito e depois ficam mais esquisitos ainda. Me deram e eu não quis, então me bateram e queriam me atirar no mar. Fugi e vim parar aqui. E você?
Ela - Eu fugi de um lugar onde guardavam crianças para depois vir um adulto que gostasse de criança levar para ser sua mãe e pai.
Ele - E porque fugiu de lá? Não queria ter um pai e uma mãe?
Ela - Quero! Mas esperava os meus verdadeiros pais, se outra pessoa me levasse como poderiam eles me achar?
 
Ele - E ninguém quis você?
Ela - Eu me escondia sempre, e no lugar iam meus amiguinhos, eles precisavam mais que eu.
Ele - E como veio parar aqui?
Ela - Fugi de lá numa noite de natal e não voltei mais.
Ele - E como sobrevive aqui fora?
Ela - Tenho amigos na praia, ah e também estudo numa escola da favela.
Ele - Então sabe ler e escrever?
Ela - Sei sim.
Ele - Pode escrever uma carta para minha avó qualquer dia destes?
Ela - Posso, quando quiser.
Ela - Agora que viramos amigos, por que perguntava se alguém não te amava? Era mesmo o papai do céu como diz?
Ele - Não iria querer saber a verdade.
Ela - Tente então.
 
Ele - É que depois de apanhar de meu padrasto e de minha mãe, eu decidi ir embora de casa, mesmo tendo a minha avó que sempre me defendeu. Não gostava de viver daquela forma, drogas e bebidas, e nenhuma condição saudável.
Ela - Mas e sua avó? Por que não ficou com ela?
Ele - Minha avó está doente e não podia cuidar de nós dois, mas eu prometi para ela que mandava notícias. E agora mesmo estava conversando com o Senhor do alto como você diz.
Ela - Pode me dizer como se chama?
Ele - Edilson.
Ela- Edilson, então não sabe o que o Senhor do alto, Papai do céu, ele sempre nos amará?
 
Ele - E por que nós dois, duas crianças que deveriam estar sendo cuidadas por pessoas que nos amassem, estamos aqui jogados no meio do frio e com fome?
 
Ela - Ainda não tenho a resposta, mas posso te garantir que estamos sendo cuidados e amados. E não estamos jogados, veja, fizemos amizade e estamos conversando de nossas vidas. O padre lá da igreja que guardo meus cadernos, me disse uma vez que, nós temos sempre dois caminhos a seguir. E eu perguntei a ele onde o Senhor do alto mais se orgulharia que seguíssemos, e ele me disse que é no caminho mais precário. Nem sempre encontramos o amor na facilidade Edilson, mas saiba que se a lealdade e a fé fizer parte de nossas vidas, teremos muitas vitórias, porque o amor abre todas as portas. Você pode duvidar do que quiser, mas nunca duvide do amor de Deus por nós.
 
Ele - Você acredita mesmo hem?
Ela - Sim, de toda minha alma.
 



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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Foi ser liberdade

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net
 



Senhora, por que está chorando?
O que aconteceu? Pode por favor, me contar?
A senhora a olhou de cima abaixo e num tom severo disse, devolva meu anel. Diga menina! Onde você o escondeu?

A menina não sabia onde estava a jóia. Olhou para a senhora, e com os olhos marejados disse: Não vi seu anel senhora. Num ímpeto sentiu numa das faces o peso das mãos que aprendera a conhecer tão bem, a lhe por de castigo. A senhora a levou até o quarto escuro e lá ela ficou o dia inteiro.


No finalzinho da noite a porta se abriu e a menina saiu com os olhos doendo da iluminação forte neles. Fora-lhe permitido um banho. Foi, se banhou e voltou para a ala das meninas, tudo em silêncio. O jantar estava servido, e lhe dado um copo de água, ela agradeceu, tomou e pediu para se retirar. Seu pedido fora negado e ela ficou sentindo o cheiro do caldo que estava sendo servido à mesa. Engolia a saliva e fechava os olhos.

Final do jantar, quando era tirada a mesa, foi anunciada uma visita. A ajudante do orfanato diz: Dona Maura sua prima a espera. Mande que entre, não posso deixar essas crianças sozinhas aqui.

A moça entra, se abraçam, conversam enquanto as crianças lavavam os pratos.
A que devo a honra de tua visita? Prima, liguei para ti o dia inteiro, minha formatura foi muito bonita, pena não teres ido. A senhora Maura se desculpou pelos afazeres não tê-la permitido ir, e em seguida a moça tira do dedo o anel lhe devolve e agradece. Obrigada querida por tê-lo emprestado a mim.

Todos se voltaram para a senhora Maura com um tom de revolta, menos a menina, que feliz da vida ficou, por saber que a senhora agora sabia que ela falava a verdade. A senhora meio sem jeito apenas, batia as mãos e dizia: Todos já para a cama, cuida!

Naquela noite a menina recebera o carinho de seus amiguinhos. E da janela de seu “quarto” pensava: Um dia eu vou admirar as estrelas bem na frente do mar, dormir junto com a brisa e ver o sol nascer todo lindo, bem diante dos meus olhos.

Um dia amenina escapou, foi ser liberdade.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Prece

(Autoria: Fernanda)
imagem net
 


A menina levava a sério todas as coisas que precisassem de seriedade.
Ela amava a liberdade que tinha com a mãe natureza.
Passeava por canteiros de flores e sorria, sentia-se em casa. Molhava as mãos pequeninas nas ondas faceiras do mar, e fazia o sinal da cruz, em tom de agradecimento.

Passava horas fitando o horizonte e namorando o céu. Muitas vezes via-se em seus olhos as lágrimas caminharem para o chão.
Certa vez encontrou senhor Ivo, homem bom e já de idade.
Ele semelhava o Pai Noel e muitas vezes lhe matou a fome. Ela tatuou sua bondade, onde tatuava os que passavam a morar por dentro dela.

Um dia senhor Ivo foi morar no céu, por não ter alguém para tomar conta dele quando ficou doente. Isso era o que ela escutara de uma vizinha dele e guardou na memória.
Saiu dali, com um rio fluindo dos olhos e voltou para a beira mar, onde o conhecera.

Olhou para o céu e na tentativa pura de uma criança, pediu ao alto num tom de prece.
Senhor do alto, sou eu a tua filha da terra.
Venho te pedir que cuide aí em cima do senhor Ivo.
Eu não sabia que ele precisava de ajuda. Se eu soubesse, teria pedido ao Senhor para me ensinar a cuidar dele do jeito certo.
Ele sabia cuidar, e eu deveria ter aprendido com ele. Assim eu teria cuidado dele tão certinho, e ele teria ficado aqui mesmo na terra.
Senhor do alto, você pode me ensinar a cuidar das pessoas, para que elas fiquem sempre bem? Se deixar eu quero cuidar dos velhinhos e um dia quando crescer, das crianças e de todas as pessoas que precisarem de mim.

Escuta Senhor, se o Senhor aceitar eu vou me esforçar para ser uma boa “cuidadora” viu? Vá pensando... Por agora eu queria saber se ele ficou triste ou feliz, de ter ido morar aí em cima. Pode, por favor, me fazer sonhar e saber?
Pode também dizer para ele, que eu disse para uma senhora, aquela que caminha de calça de bolinha e blusa branca, que ele era meu vozinho querido? É que eu ia perguntar dele naquele dia, se ele podia ser meu vozinho do coração, mas quando eu cheguei lá, ele já tinha dormido.

Diz para ele que eu fiquei marrenta com o SONO, porque ele levou meu vozinho. Mas o padre me disse que o Senhor o chamou, porque estava precisando muito dele por aí. Então está tudo bem agora, a minha cara já não está mais de brava tá? Desculpa.

Diz para ele que eu vou estudar lá pros lados de Niterói, mas só se dona Luiza conseguir uma vaga para mim por lá. Se não fico lá na favela mesmo.
Que o Peter vai estudar comigo, mas prometeu ficar bem quietinho quando eu estiver ocupada.

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Ser poeta

(Autoria: Fernanda)
Imagem: net



Senhor do alto, hoje eu aprendi mais uma coisa. Escuta é assim: Aperte então meu coração com teus olhos, e vire minha essência ao avesso. Verás então a magia do amor, mais brilhante que o sol. Sente no teu peito o afago de uma lágrima, que as meninas dos olhos teimosas que são, desnudaram diante de ti. Vês? No colher de um beijo, somos singulares, no coração toda essência. Então isso é ser poeta? Se é, VOCÊ é a minha melhor poesia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Agradecimento

(Autoria: Fernanda)

Senhor do alto, hoje eu vim agradecer.
Lá na escola eu ganhei livros cheinhos de letras e desenhos.
Fiquei tão agradecida, que sai beijando cada um, ah é pecado gostar de sentir o cheiro de livros? A mestra disse que é porque eu vou ser muito inteligente. Eu ainda não sei o que é ser inteligente, mas se ela disse e for do bem eu quero ser. Então eu podia amar igual ser inteligente? Pensa, depois me diz tá? Agora preciso ir, vou guardar meus livros lá na igreja.
Senhor do alto, eu te amo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

(***)

(Autoria: Fernanda)
IMAGEM: NET


A menina pensava que brincar, era  sonho alto demais para ela.
Então resolveu apenas sonhar, até o dia em que um anjo lhe ensinou a amar.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Separação

(Autoria: Fernanda)
imagem da net


Ele era o menino mais doce de lá.
Ela o chamava de mano, porque o amava como irmão.
Os caminhos que passeavam todos os dias davam nas flores de um jardim muito bonito.
Naquele dia...

Ele - Quer ir ao jardim hoje Fernanda?
Ela - Não mano, hoje queria passear nas estórias apenas.
Ele - Mas as estórias, ficam mais bonitas quando tem perfume de flores.
Ela - Mas meu coração está apertado, ele não quer ir para lá.
Ele - Mas queria te mostrar a nova flor diferente que nasceu lá. Vem, não vamos demorar.
Segurando sua mão ele a guiou até o lugar.
Nem deu tempo de chegar e se ouviu um estouro. Mano foi caindo devagarzinho ao chão, os olhos dele foram fechando e sua mão soltando da minha.

O moço de farda olhou dentro dos meus olhos e disse: Escuta aqui menina, você não viu nada.
Lhe respondi, mas eu não vi mesmo moço, mas por favor socorre meu maninho, ele está dormindo e não quer acordar.
Aquilo durou muito, e entre lágrimas ela foi entendendo que o mano dormiu para sempre, não iriam mais ao jardim, nem passear de mãos dadas na praça. As estorinhas que ambos se contavam iriam ficar na sua lembrança.

Era outro golpe forte para uma menina.
Seu coração parecia estar partido porque lhe doía até a alma.
Olhou para o céu, ele estava mais azul, o sol mais brilhante, e os pássaros resolveram dançar um balé raro nas nuvens.

Ela deixou as lágrimas rolarem bastante, depois olhou novamente para o céu e disse: Senhor do alto, por que deixou um homem tão malvado me tirar um anjo? Talvez um dia eu entenda, mas por agora, a única coisa que sei contar é dessa dor que rasga meu ser inteiro, e me faz querer chorar um mundo.
Passando uns dias ela se lembrou da flor que mano lhe falara, então caminhou rumo ao jardim e viu ali uma linda flor branca. Mas quem a segurava era ele.

Ela correra a seu encontro muito feliz e o abraçou, foi um abraço tão cheio de ternura.
Ele disse: vim te deixar esta flor, e dizer que não fique triste, eu estou num lugar tão bonito cheio de meninos e meninas de asas. Mas sempre que se lembrar de mim, estarei contigo.
O que mata o sentimento é o medo de senti-lo.
O que faz o amor permanecer vivo é a pureza de amar.
Não se esqueça.

Acordei ao lado de uma linda flor,
mas até hoje tenho a certeza que não foi um sonho aquilo.