★☾ ✿Gente - Miúda✿

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Era uma vez, uma garotinha que se chamava... Bora ler!

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Persistência

 
 
Eu fico imaginando essa menina, se tivesse nascido do jeito certo, tivesse tido a regalia de um berço quentinho, com figuras de borboletas e flores enfeitando o quarto, ou uns brinquedos espalhados no cantinho da cama, onde brincava enquanto mãos quentinhas e amorosas lhe colocavam um novo agasalho.
Eu fico imaginando essa menina, tentando olhar da janela na pontinha dos pés, para ver se conseguia olhar o céu e conversar com Deus, mas era tão pequenina, que apenas chegava com os dedinhos lá bem próximo dela, mas se não pulasse muitas vezes nem conseguiria perceber o azul que enfeitava seus dias cinza naquele lugar. No entanto sua persistência era hercúlea, na quinta saltada, sentava ao chão e se dirigia a Ele sem céu mesmo. Mas não ficava sem dizer o que estava sentindo para o amigão do alto.

Eu fico imaginando quando perguntava sobre o natal, e a faisquinha nos olhos era de um gosto só. Ainda havia o samba alegre no peito, por sentir que o rumo da prosa ia ter pedido novo.

E ela pedia que o papai Noel naquele ano trouxesse pais para a Bia, a Maria, a Suzana e para todas as suas amiguinhas. Mas para ela não precisa ouviu papai do céu? Eu já tenho os meus. Qualquer dia desses eles vêm e me levam para casa tá?

Eu fico imaginando, quando os dias passavam, os natais se repetiam e da janela, ela ainda não conseguia observar nada, era naniquinha, mas já dava para subir na cama e verificar o brilho das estrelas piscando para ela, como se dissessem: menina eles vão vir, não perca a esperança. Ela não perdia, lembrava sempre que a senhora do orfanato lhe dissera. “Ela disse que voltaria para te buscar”. Não queria lembrar-se daquela parte que a moça disse (em uma semana). Essa ela fazia questão de esquecer.

Eu fico imaginando como a menina chorava bem caladinha e se ouvia apenas um soluço tão baixinho, que se precisavam atinar bem os ouvidos para ouvir.

Mas de tanto pedir por seus amiguinhos, decidiu pedir também para si e para isso não iria esperar o natal. Iria falar com seu amigão do alto também sobre isso durante os dias. E falou, e pediu, e esperou.

Ela disse: Senhor do alto, não pense que não sei do seu trabalho aqui na Terra, sei que é muito pesado cuidar de um mundão vasto assim, mas quando estiver cuidando e pondo as coisas em ordem, descobre dona Helena para mim? Pode plantar no coração dela uma saudade bem grandona da menina que ela deixou aqui. Fala para ela que ninguém trocou o meu nome, ainda é o mesmo, e que eu continuo esperando há quatro anos. Diz também que eu mudei, mas só um pouquinho, meus cabelos cresceram e eu fiquei branca de doer, mas tenho a correntinha que ela deixou no meu pescoço.

Eu fico imaginando na choradeira que foi, quando mais um ano passou e nada! E doía tanto por dentro dela que a menina não sabia mais como massagear o peito, para parar a dor. Olhava em volta, via os pequenos como ela dormindo e se compadecia deles também. Somos todos irmãos de pais diferentes na Terra, mas somos iguais perante o Senhor do alto. Queria que cada um deles tivesse um lar, um pai e uma mãe, mesmo que ela nunca mais pudesse ter.

Eu fico imaginando a felicidade nos olhos dela quando cada um dos seus irmãos de lar, foram adotados, ela olhava da janela com a ajuda de um banquinho, a felicidade deles, e corria de um lado para o outro do quarto, e o sorriso largo fartando-lhe a face. Era sua felicidade também ali. Juntava as mãozinhas numa alegria tão pura.

Eu fico imaginando, como foi difícil aprender a guardar a tristeza numa caixinha dentro do peito, porque as outras pessoas precisavam de alegria. Ela também carecia de gargalhar para não enraizar a tristeza na alma, e foi o que fez. Foi plantar flores e amor no mundo, era sua responsabilidade, ela sentia que era.

Eu fico imaginando, quando levou uma surra de camisa molhada aos 4 anos, porque o lençol de sua cama não deixou a bolinha de gude rolar livremente sobre ela, para constatar que a arrumação estava impecável. Ela correu para o canto do quarto e foi chorar uma dor misturada, dor física com dor na alma. Tão gigante tudo aquilo, que a menina decidiu fugir dali para nunca mais voltar.

Eu fico imaginando, na primeira noite descobrindo um céu sem grades, sem bancos, sem confessionários. Ali ela podia chamar o Senhor do alto, sem receios de a senhora má os ouvir, apenas com o receio de um novato em algo que depara pela primeira vez.

Eu fico imaginando, como a maldade pode ser cíclica, principalmente por força de poder. Os dias vieram como que confusos e maravilhosos. Cheios de descobertas e decepções, mas havia força de vontade para aprender.

Eu fico imaginando como a maldade ganha adeptos, e como às vezes colorir um mundo cinza pode ser melhor em alguns casos. Que Deus proteja sempre a humildade da arrogância. Porque linear, é se movimentar na mesma direção, mude se for egoísta, mude se for mentiroso, mude se for malvado, mude se for invejoso, mude se for ranzinza. Mude, a vida é mudança, mas só conta pontos se for para melhor.

Eu fico imaginando se houvessem mais bondade nesse mundo.
Que tal ser alguém de verdade? Alguém, alguém que se orgulha de ser o que é, de pisar no chão se for essa a sua vontade e sujar de areia os pés. De comer com uma simples colher porque mesmo sabendo manejar o garfo, é mais gostoso sentir o alimento na sua intensidade. Dizer o que pensa com carinho, com delicadeza e não deixar o outro ficar na ilusão de uma falsa imagem.

Eu fico imaginando se eu seria uma dondoca sem respeito por pais que me criaram desde o seu ventre, e tivesse crescido futilmente, vendendo uma beleza externa, e por dentro fosse oca de qualquer predicado, e só de pensar nessa possibilidade dou graças por ter nascido, e ter sido logo deixada num lugar que foi a ponte para eu ser o que sou hoje.

Eu fico imaginando que não acho nada bonito presenciar pais que trabalham demais para fazer confortável a vida de seus diletos filhotes, para quando chegarem à casa cansados, encontrar tudo por fazer. E os privilegiados nem aí, sem se importar com o cansaço deles. Eu fico imaginando, que não saberia querer ser uma tediosa por não achar graça em nada.

Fico imaginando quando a menina se olhou pela primeira vez no espelho, depois de um banho e uma roupa limpinha e cheirosa, e a graxa longe de seu rosto, não sabia que era tão engraçadinha a ponto de tocar lá no espelho, para saber se não era outra que estava ali. E quando sorriu achou a coisa mais estranha do mundo admirar também um sorriso seu, embora nunca lhe faltassem nos lábios para alguém. Estava acostumada a se ver sorrindo no outro.

Eu fico pensando na alegria do seu primeiro dia de aula, e seu caderno improvisado de folhas soltas, que quando foram ao chão no meio de toda aquela molecada, soaram gargalhadas de todos os lado que a deixaram destemperada. Mas a vontade de estar ali era tamanha que juntou todas as folhas uma por uma, e foi tão orgulhosa sentar na sua carteira só dela naquele momento, e ali começou a dançar palavras e juntar os casais para formar amor.

Eu fico pensando como ela respeita cada opinião, cada descaso, cada carinho e cada ofensa como se fossem todas dignas, porque sabe que aquilo que o outro lhe entrega é tudo que ele tem.

Eu fico pensando como é bom não economizar nada que seja de bom para o outro, porque ele precisa de coisas boas por carregar uma cruz que por vezes é muito pesada, mas só ele e Deus é que tem essa própria ciência.

Eu fico pensando que somos construtores de nossa casa interior, e tudo que seja para lhe fazer melhorar é bem vindo.
Então constato: IMAGINAR dói menos agora.
 
 
Maria Fernanda
 
 
 
 
 
 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Mãe

(Autoria: Fernanda)

Hoje vou falar de um elo de amor.
Aquele que se empenha nos mínimos detalhes, que ama, que se doa, que não põe medidas para amar.
Seja ela correspondida ou não, sempre continuará sua missão de anjo.
MÃE! É de vocês que vou iniciar a semana falando.

As palavras mais bonitas que achei desde que conheci o significado: MÃE e PAI.
Mas vou comentar apenas uma delas, por merecimento do mês.
Um dia muito pequena, eu ouvia nas nossas orações “pai do céu” e “mãe do céu”.
Pensava que todas as pessoas do mundo tivessem o “pai do céu” e a “mãe do céu” apenas e ponto.

Não sei precisar bem minha idade, mas lembro com nitidez, a primeira vez que ouvi, uma menina dizer: mãe me compra uma bala? Com a maior naturalidade do mundo para ela. E para mim foi uma emoção tão forte, parecia que o céu estava na Terra e eu maravilhada, extasiada.

Corri na direção da senhora e lhe disse: você é a “mãe do céu”?
Ela - Não querida, eu sou mãe da Lia apenas.
Eu - Mas você pode ser minha mãe também?
Ela - Não minha querida, você já deve ter a sua própria mãe.
Eu - Eu tenho, a “mãe do céu”. Mas eu pensei que ela fosse mãe de todas as pessoas.
Ela - E é querida, mas deixou aqui na Terra, mãe e pai terrenos.

Eu - O que é terreno?
Ela - É a Terra, a Terra chamamos terrena.
Eu - Então eu tenho um pai e uma mãe só para mim?
Ela - Creio que sim.
Eu - Mas onde eles estão?
Ela - Na sua casa meu bem.

Saí da frente da igreja em disparada e corri para junto das outras crianças, e lhes contei a novidade.
Mas parecia que nenhum dos meus amiguinhos se interessou pela história.
Então chamei a irmã Dolores que cuidava da gente no horário da missa e lhe perguntei, onde estavam meus pais, que precisava muito lhes falar.
Ela me observou por algum tempo e depois me disse: menina, não tenho como chamar seus pais. Eles não moram aqui.

Eu - Mas todos temos pai e mãe, então onde estão os meus?
Bom, essa conversa se estendeu até a noite no orfanato, e como eu era a única a questionar a situação, a supervisora me levou até a diretora, e ela teve uma conversa proveitosa comigo.
Escuta menina, eu só conheci sua mãe, e te deixou aqui para vir buscar com dois dias e até hoje não voltou. Agora, deixe de perguntas e vá dormir.
Lembro como se fosse hoje, aquela conversa.
Então sem perceber que eu chorava, a supervisora, pegou no meu braço e me levou até o alojamento, e eu fui para minha cama tão triste, lembrando da Lia e da mãe dela.

Não conseguia dormir, só chorava baixinho, daí corri para o corredor e olhei pela fresta um pouquinho do céu e lá ajoelhei, juntei as mãozinhas e rezei.
Pai do céu, eu pensei que todas as pessoas só tivessem um pai e uma mãe e eles moravam aí no céu. Mas hoje descobri que temos um pai e uma mãe aqui, e aí então temos dois pais e duas mães.

O Senhor e mãezinha estão aí em cima cuidando da gente, e como a escada é muito grande para vir aqui, nos deu o segundo pai e a segunda mãe para cuidar da gente na terrena, que a moça falou. Como há muita gente por aqui, as nossas mães e pais daqui do orfanato, se perderam na descida, o Senhor pode iluminar os passos deles, para vir nos buscar? Ou vir morar com a gente?
Eu sei que pode! O senhor pode todas as coisas né? Eu sei.

Mas percebi porém que o lugar em que estávamos, era justamente porque nossos pais nos guardaram por lá e se foram.
Percebi também que só os privilegiados tinham pai e mãe.
Que pai e mãe nem sempre podiam ser de todos, e que aqueles que não os tinham poderiam um dia tê-los, mas talvez nunca tivessem.

Um dia no natal havia pessoas que iam ver as crianças para adotá-las. Antes de a hora chegar, estava conversando com quatro amiguinhas minhas, e elas queriam muito um lar, uma mãe, um pai, uma boneca, um cachorro, enfim, todas no mesmo ideal.

Eu tinha a ilusão que a minha mãe voltasse e me levasse com ela, então eu me escondia quando as pessoas chegavam.
Minhas amigas com o tempo foram ganhando pais e um lar e eu esperava minha mãe.
Um dia percebi que ela não viria, foi triste mas constatei.
Então como a vida no orfanato era um pouco gritante para minha fragilidade e delicadeza eu fugi, e fui morar na rua.

Bom, mas isso é outra história.

A palavra mãe tem doçura, carinho e amor.
Aprendi a ler por minha própria vontade, e sabe? Nem sei explicar isso, apenas um dia estava lendo e foi bem mesmo assim.
Então comecei a escrever para o céu, algumas vezes escrevia bastante nos papéis que encontrava limpo nas lixeiras, folhas soltas jogadas por alguém.

E quando ouvia no parque alguém dizer “mãe vem cá”, “mãe me põe no balaço”?
Eu punha as mãos no queixo e ficava sonhando que eu também podia chamar mãe. Então chamava, “mãe do céu” vem brincar comigo?
Um dia, não sei se foi sonho ou se foi imaginação de criança.

Mas os brinquedos estavam livres na praça e uma senhora muito bonita e elegante, toda de vestido rodado azul, bem comprido, chegou perto de mim, eu tinha uns seis anos, e ela disse: filha vamos brincar? Eu nem queria questionar naquele momento, apenas segurei em suas mãos e fui. Ela me deu um abraço tão doce e forte que parecia que meu coração irradiava amor por todos os lados.

Minha palavra que consegui pronunciar ali, foi apenas “mãe você veio”? Ela – sim filha você me chamou e eu vim.
Vamos brincar bastante e depois vou precisar ir outra vez, mas sempre que precisar de algo peça em direção aos pais que estão nos céus, e tudo lhe será dado na medida em que você for entendendo os motivos de ser como é.

Brincamos, brincamos até as seis quando o sino da igreja badalou, percebi então que nas badaladas do meio dia ela chegou e se foi às seis da tarde.
Nunca contei isso a ninguém, apenas me deu vontade de escrever hoje. Tudo bem, eu era uma criança e as crianças vêem coisas.

Mas nunca deixei de amar, olhar para o céu, nunca peço nada para mim, tenho mais conforto de pedir pelos outros, me sinto feliz assim.
Minha mãe esteve sempre presente nos meus anseios, no meu amor e no meu coração.
A palavra MÃE é preciosidade!

Filhos valorizem esse tesouro, pois o coração de uma mãe comporta sacrifícios enormes de amor por você, o que quer que possa imaginar, esse anjo faz, na medida do seu possível, e quando não lhe é possível, ela pede em oração e roga a Deus por ti.

Esta mulher é a ligação mais próxima de uma conversa ao pé do ouvido com Deus.
Que neste mês de maio, eu possa falar com exatidão da doçura e meiguice dessa brava defensora de sua prole.

M Ã E!

Era uma data apenas (dia das Crianças) parte 2

(Autoria: Fernanda)

 
Ela - Moço não precisa chorar.
Ele - Menina... Vamos escolher o mais bonito sapato para ti.
Ela - Não precisa moço, agora eu preciso ir.
Ele - Mas você queria tanto brincar em um dos brinquedos. Faz disso, você brinca apenas uma vez, só para sentir o sabor, e depois pode ir, está bem?
Ela - Está bem.
Ele - Mas primeiro vamos comprar um sapato para você.
Então eles saíram dali e entraram num lugar que mais parecia um palácio, e havia lá muitos, muitos sapatos.
Ela escolheu um misturado, azul com rosa. O azul e o rosa faziam parceria com suas preferências. E lá se foram eles para aquela ala encantada.

Ela brincou e sorriu.
Mas já estava bom, não podia ficar mais tempo naquele lugar, seu braço doía, é que onde o moço mau machucou, fazia pouco tempo que ela havia escorregado e batido aquele braço, ainda estava sensível.
O moço grande, seu Nélio, queria levá-la em casa, mas como dizer a ele que ela não tinha uma? E se dissesse que não tinha, e ele a levasse a um orfanato? Estava arredia, ele parecia um anjo de tão bom, mas não podia voltar outra vez para o orfanato, era doloroso para ela se imaginar lá outra vez.

Então parou de sorrir e ficou séria, estava refletindo.
Ela sabia que não podia mentir, era errado e feio.
Ele - Como se chama menina?
Ela pensou, ai meu Deus, lá vem as perguntas...
Ela - Fernanda, a menina lá da praia do Leblon.
Ele - Ah então você mora no Leblon?
Ela - Huhuuum!
Ele - Que bom, porque eu moro exatamente por ali, posso te deixar em casa?

Ela - Pode deixar na praia?
Ele - Sim.
Ela - Está bem. Então vamos.
Ele - Fernanda me diga, você está sozinha aqui no shopping?
Ela - Não estou sozinha não moço.
Ele - Cadê a pessoa que está com você?
Ela - Está aqui.
Ele - Onde?
Ela - Aqui, bem detrás das minhas costas.
Ele - Não vejo.
Ela - É meu anjo da guarda, você também tem o seu.

Ele riu e depois perguntou.
Onde estão seus pais?
Ela - Não sei.
Ele - Quantos anos têm?
Ela - 9.
Ele - Onde mora?
Ela - Na rua.
Ele - Desde quando?
Ela - Desde quando fugi do orfanato.
Ele - E quando foi, ontem?
Ela - Não senhor, já faz um bocado de tempo, eu tinha assim ó.
Ele - Está me dizendo que tinha 5 anos?
Ela - Sim.

Ele - Mas como isso é possível? Onde dorme?
Ela - Junto dos meus amigos.
Ele - Onde?
Ela - Quer ver?
Ele - Por favor!
Então a menina levou o moço até os outros que como ela, não tinha uma casa, eles forravam o chão, se aninhavam um perto do outro, para o frio ser menos forte, e ali dormiam, simples assim.
Ele fitava os amigos da menina e ela, então depois de um longo tempo ele disse.

Ele - Quer ir para casa comigo?
Ela - Não posso.
Ele - Por quê ?
Ela - Está vendo aquela senhora ali de gorro vermelho?
Ele - Sim estou.

Ela - Ela está muito doente, o doutor falou que ela ia logo, logo para o céu. Quando ela lembra, diz que eu sou a neta dela que o mar levou. E quando ela diz isso, ela chora muito e fica sem poder respirar, ela grita, chama pelo nome da menina e quer se jogar na água. Mas quando eu chamo ela de vó, então ela se acalma e eu fico abraçada nela até ela dormir.
Ela - Pode levar ela junto?

Ele - Não, eu não posso levar essa senhora também. Você seria mais fácil, poderia te adotar e você virar minha filha. Mas ela não tem como.
Ela - Sabe moço? Não precisa não. Vou continuar por aqui.
Ele - Quando quiser vê-los eu te trago aqui.

Nisso a senhora acordou e ficou tateando o lado que a menina dormia.
A menina olha para o senhor Nélio e diz.
Ela - Pode ir. Eu não abandono meus amigos. Ela precisa de mim. A gente precisa semear amor nas pessoas, para que o mundo tenha o que colher, e nunca mais existam pessoas e nem crianças sem lar.

Ele - De onde você tirou isso Fernanda?
Ela - Do anjo que é meu amigo, ele diz essas coisas para mim.
Então ela tirou os sapatos dos pés, e devolveu ao homem.
Ele não quis de volta e disse que pertencia a ela.
Ela - Obrigada!

Ele – Fernanda, vou te dar algum dinheiro, mas guarde bem guardado tá? É para poder se alimentar amanhã, junto com seus amigos. Fiquei muito contente com seu ato, de me devolver a carteira cheia de dinheiro. Aceite é de coração.

Ela - Não carece não moço, se for por isso, não precisa, não devemos receber recompensa por fazer o bem, é nosso dever de todo dia. O que não é nosso não deve ficar conosco. Preciso ir agora, devo ficar ali onde ela procura, se não ela vai começar a gritar e chorar...

Ele - Vou viajar, quando voltar venho aqui te ver está bem?
Ela - Está bem. Boa viagem moço.
Ele - Fica com Deus menina.
Ela - Ele está aqui no meio de nós.
Ele - Como sabe?

Ela - As pessoas esquecem que temos Deus a todo momento em nosso coração. Algumas deixam ele guardado por medo, outras por não querer perceber, e outras por não se sentirem merecedoras. Mas Deus é único e pai de todos nós, ele enxerga tudo com seu olhar de amor e é por isso que sabe quando alguém está falando a verdade ou mentindo, quando se arrepende ou não. Ele chora quando vê sua criação fazendo coisas más, como o homem que me machucou o braço, ele não estava fazendo o trabalho dele, o trabalho é um fruto bom ao homem. Na missa eu ouvi o padre dizer, que as crianças são preferidas na casa de Deus. Porque elas não tem medo de dizer a verdade, nem errar e concertar. É verdade moço, os adultos deveriam ser crianças na maioria das vezes.

Ele - Tem a razão. E então viramos amigos?
Ela - Há muito tempo, desde quando me deu aquele sorriso tão bonito, mesmo eu estando sem sapatos.
Ele - Você é muito mimosa e valiosa.
Ela - E isso é bom?
Ele sorriu, é muito.
Uma criança me ensinou o que nestes anos todos eu não havia conseguido aprender.
Ser humildade.